onde a inspiração se escondeu
tempo que insiste estar perdido
Mesmo que na vida se mude os sentidos, Mesmo que o mundo nos remeta pra longe dos ideais, Ainda que um dia pareça no tempo estarmos perdidos, Não perderemos nossos principios...
onde a inspiração se escondeu
tempo que insiste estar perdido
Ainda não me conheço
mesmo morando aqui
sei como foi meu começo
nem me ocupo do fim
aqui em mim existe
desejo de completude
estou sempre em mudança
certas coisas não mudo nunca
há coisas que não me lembro
tantas que não posso esquecer
amo poder gostar
e se tiver desgostado
a decisão sempre é amar
posso voltar a gostar
crendo no regenerar
viver por aqui
são momentos
que façamos grandiosos
viver sem os relapsos
seguir aprendendo
compreendendo
que o futuro
já começou
no passado
Miranda
A POESIA
Para fazer poesia não faça nada
Ela chega sem pedir e vai se não for
notada
Se ela não vem, pode até tentar
É como tentação perde-se tempo em suportar
Se quiser esperar é só sentar
Pode ser que ela chegue ao cochilar
Quando ela chega e te ganha
É como enamorar beijando a quem se ama
Se ela gostar quase não vai embora
E ao voltar nem se ocupa em marcar hora
Se for displicente ela é arredia
Pra reconquistar pode levar uma vida
Deixa ela te abraçar, fazer cafuné
Nem se preocupe, inspiração da cabeça aos pés
A uns ela vem com sofisticação
Bem rebuscada quase beira a perfeição
A outros chega bem mais tímida
Vem rustica sequer alguma simetria
O que menos importa é o gênero literário
POETA e POESIA se misturam nesse processo imaginário
Miranda
CASA VELHA
Há tempo de juntar...
Há tempo de espalhar...
Na formação de um lar
Dois outros desassociam
Para que nasça uma casa
Há que mudar a paisagem
Uma casa surgi como abrigo para dois,
Ao passo que outras ficam despovoadas
Há tempo, há ciclos
Há tempo de separar
A mãe quando ao conceber
Se quer imagina o tempo de afastar
A casa que inicia com dois,
Pode socializar dezenas,
Essa casa que viu cada chegada,
É a que verá a dor de cada partida
Até que por companhia fiquem só dois...
Todo começo segue a um final
Em cada final pode haver um recomeço
Aprende a aprender sempre
Lar pode ser qualquer um...
Só não deve ser um qualquer..
Sem o mesmo fim...
Iguais desiguais...
Mas que seja um final feliz!
Miranda
DONA MORTE
Quando já estiver deitado noite escura a dentro e adormecido, no último golpe,
sem mais goles nem porres
Quem sempre pensou que era forte, e, vem algo quer se sabe se veio do Sul ou Norte
sem precisar de pancada forte.
Sem aviso, sem susto e sem nenhum custo, sem esperneio, sem barganhar, num
simples apagar, sem poder levar nada, nem deixou tudo que deveria ficar, talvez
nenhum legado, quem sabe ser lembrado e malhado tipo Judas.
Sem marcar hora, nem batida na porta, se quer perguntou se já estava pronto,
nem deixar se despedir, poder dizer que iria partir, e, ir sem deixar senhas, ou
mesmo talvez um perdão que por algum motivo desdenha.
Se perguntou, se explicou, ninguém ouviu, nem mesmo um vento frio, não se viu
nem vulto, nem houve consentimento, ainda que houvesse um ressentir, agora um
sentir, só para quem ficou, se é que saudades deixou.
Nem veio armada, se tinha foice, se era feia, se muito fria, só quem sabia o
que sentia emudeceu, a porta fechada, sem passos pela casa assim chegou, assim
partia.
Conta as lendas que é desse jeito, e nem precisa ter malfeito, que um certo dia
e sem dia certo, sem um recado, sem encontro marcado é assim que chega a dona morte.
Miranda