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terça-feira, 27 de outubro de 2020

CHORAR

 

RIOS             
Quero um dia para lamentar
Onde possa chorar rios
e desaguar no mar toda amargura
aquele dia onde a voz se faz oculta
Sem poder encontrar comigo mesmo

nessa estrada que se tornou labirinto 
pra viagem das lembranças que insisto
chegando o desalento, e tudo emudecer

onde  a inspiração se escondeu

Como seguir se na bagagem é só saudade

tempo que insiste estar perdido

que só restou um ai meu Deus
que na visão tudo feneceu e
a geografia do coração é tudo deserto

Miranda

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

IMPERFEIÇÃO


 PERFEITA

Ainda não me conheço

mesmo morando aqui

sei como foi meu começo

nem me ocupo do fim

aqui em mim existe

desejo de completude

estou sempre em mudança

certas coisas não mudo nunca

há coisas que não me lembro

tantas que não posso esquecer

amo poder gostar

e se tiver desgostado

a decisão sempre é amar

posso voltar a gostar

crendo no regenerar

viver por aqui

são momentos

que façamos grandiosos

viver sem os relapsos

seguir aprendendo

compreendendo

que o futuro

já começou

no passado

 

Miranda

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

O POETA

A POESIA

Para fazer poesia não faça nada
Ela chega sem pedir e vai se não for notada 


Se ela não vem, pode até tentar
É como tentação perde-se tempo em suportar


Se quiser esperar é só sentar
Pode ser que ela chegue ao cochilar


Quando ela chega e te ganha
É como enamorar beijando a quem se ama


Se ela gostar quase não vai embora
E ao voltar nem se ocupa em marcar hora


Se for displicente ela é arredia
Pra reconquistar pode levar uma vida


Deixa ela te abraçar, fazer cafuné
Nem se preocupe, inspiração da cabeça aos pés

 

A uns ela vem com sofisticação

Bem rebuscada quase beira a perfeição

 

A outros chega bem mais tímida

Vem rustica sequer alguma simetria

 

O que menos importa é o gênero literário

POETA e POESIA se misturam nesse processo imaginário

 Miranda



quarta-feira, 21 de outubro de 2020

VELHA CASA

 CASA VELHA

 Casa lar...

Há tempo de juntar...

Há tempo de espalhar...

Na formação de um lar 

Dois outros desassociam

Para que nasça uma casa

Há que mudar a paisagem

Uma casa surgi como abrigo para dois,

Ao passo que outras ficam despovoadas

 

Há tempo, há ciclos

 

Há tempo de separar

A mãe quando ao conceber

Se quer imagina o tempo de afastar

A casa que inicia com dois,

Pode socializar dezenas,

Essa casa que viu cada chegada,

É a que verá a dor de cada partida

Até que por companhia fiquem só dois...

 

Todo começo segue a um final

Em cada final pode haver um recomeço

Aprende a aprender sempre

 

Lar pode ser qualquer um...

Só não deve ser um qualquer..

 

Sem o mesmo fim...

Iguais desiguais...

Mas que seja um final feliz!

 

Miranda

QUE SORTE

 

DONA MORTE


Quando já estiver deitado noite escura a dentro e adormecido, no último golpe, sem mais goles nem porres
Quem sempre pensou que era forte, e, vem algo quer se sabe se veio do Sul ou Norte sem precisar de pancada forte.

Sem aviso, sem susto e sem nenhum custo, sem esperneio, sem barganhar, num simples apagar, sem poder levar nada, nem deixou tudo que deveria ficar, talvez nenhum legado, quem sabe ser lembrado e malhado tipo Judas.

Sem marcar hora, nem batida na porta, se quer perguntou se já estava pronto, nem deixar se despedir, poder dizer que iria partir, e, ir sem deixar senhas, ou mesmo talvez um perdão que por algum motivo desdenha.

Se perguntou, se explicou, ninguém ouviu, nem mesmo um vento frio, não se viu nem vulto, nem houve consentimento, ainda que houvesse um ressentir, agora um sentir, só para quem ficou, se é que saudades deixou.

Nem veio armada, se tinha foice, se era feia, se muito fria, só quem sabia o que sentia emudeceu, a porta fechada, sem passos pela casa assim chegou, assim partia.

Conta as lendas que é desse jeito, e nem precisa ter malfeito, que um certo dia e sem dia certo, sem um recado, sem encontro marcado é 
assim que chega a dona morte.

 

Miranda