ELA É VENTO
Existem
contornos que não se esboçam no corpo, mas no silêncio de um gesto,
nas voltas sutis de uma palavra que é suave como acariciar o ar, ter cada sílaba marcada para seguir o caminho direto até o coração.
Contornos que se traçam no olhar que, terno, reconhece o outro não para aceitá-lo, mas para libertá-lo, como se compreendesse que a verdadeira presença não precisa estar presente.
Ela dobra o
tempo pela paciência de quem pode esperar
contorna as
dores pelo alívio de quem já compreendeu o peso do mundo e
decide não
carregá-lo, mas derretê-lo em gentileza.
Não é essa
beleza que se vê nos espelhos,
não é esta beleza que se mede em traços ou formas que o olho busca; ela está nas entrelinhas invisíveis, onde a alma se torna visível em mínimos detalhes:
um sorriso furtivo, um breve tempo antes de falar, o cuidado silencioso de quem capta o que não se diz.
Meiga, não
pela fragilidade macia, mas pela força que habita
na ternura de
quem não precisa de força bruta para ser total.
Ela é o vento
que envolve, mas não força;
é o rio que
corre, moldando a pedra sem jamais atingi-la.
E assim, suas
curvas, sua beleza, sua ternura
são uma dança
que o mundo não vê, mas sente.
Pois é na
delicadeza da alma que se encontra o encanto que não se apaga.
Miranda

