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segunda-feira, 21 de outubro de 2024

ENVOLVENTE

 

ELA É VENTO 

Existem contornos que não se esboçam no corpo, mas no silêncio de um gesto, 

nas voltas sutis de uma palavra que é suave como acariciar o ar, ter cada sílaba marcada para seguir o caminho direto até o coração. 

Contornos que se traçam no olhar que, terno, reconhece o outro não para aceitá-lo, mas para libertá-lo, como se compreendesse que a verdadeira presença não precisa estar presente. 

Ela dobra o tempo pela paciência de quem pode esperar 

contorna as dores pelo alívio de quem já compreendeu o peso do mundo e 

decide não carregá-lo, mas derretê-lo em gentileza.  

Não é essa beleza que se vê nos espelhos, 

não é esta beleza que se mede em traços ou formas que o olho busca; ela está nas entrelinhas invisíveis, onde a alma se torna visível em mínimos  detalhes:

um sorriso furtivo, um breve tempo antes de falar, o cuidado silencioso de quem capta o que não se diz. 

Meiga, não pela fragilidade macia, mas pela força que habita 

na ternura de quem não precisa de força bruta para ser total. 

Ela é o vento que envolve, mas não força; 

é o rio que corre, moldando a pedra sem jamais atingi-la. 

E assim, suas curvas, sua beleza, sua ternura 

são uma dança que o mundo não vê, mas sente. 

Pois é na delicadeza da alma que se encontra o encanto que não se apaga.

Miranda

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