SER FORTE
Ela se move na vida, envolta em véus invisíveis,
de cujos fios se tece a ilusão de que o que se vê no
espelho basta.
Seu olhar é profundo, mas contido, como uma chama
acesa
que hesita em arder por inteiro, acovardada pela
sombra de dúvidas que nunca foram suas.
O ouro de seu espírito brilha, embora ela não o
veja,
porque seu valor, tal qual o de uma joia escondida nas
profundezas, não pede louvores ou palmas.
Mas ela, de cabeça baixa, na quietude de suas batalhas
diárias,
sabe, no fundo, que a beleza não é somente toque, é
presença —
e ser feminina não é seduzir o mundo, mas habitar
silenciosamente o mundo.
Sua força não grita, não se veste de pompas;
dá-se em pequenas rebeliões de ser e existir sem ter
de provar nada.
E o homem não é rival ou espelho distorcido,
ele está aqui ao seu lado, não na frente ou
atrás,
porque ela sabe que a grandeza não precisa de
comparação para ser.
Seu poder não se alimenta da negação, mas da escolha
do inteiro
mesmo quando o mundo tenta fazer ela sentir-se menos
do que é.
Miranda

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