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terça-feira, 18 de novembro de 2025

O Vazio

 

Do Eco

 

Há por aí que anda achando que brilha mais do que sol no meio-dia, mas,

olha... é um sol meio gelado, sabe? Só esquenta o próprio umbigo.

Olham ao redor, mas, sinceramente, é como se só enxergassem o próprio reflexo num vidro limpíssimo.

O resto do mundo vira cenário borrado, igual foto tremida, tudo sem nome, sem cheiro, sem gosto.

 

Pegam sorrisos dos outros como se fossem flores raríssimas, só que, rapidinho, as flores morrem nas mãos delas.

E, adoram beber lágrima alheia como se fosse um vinho chiquérrimo, degustando o drama, porque de algum jeito isso faz elas se sentirem melhores.

Palavras? Só moeda de troco, promessas que o vento leva, papo de vendedor de ilusão.

Quando oferecem alguma coisa... cuidado, porque a gaiola é dourada, mas ainda é prisão.

 

Tem até um jeitinho todo delicado, quase artesanal, quebram as pessoas por dentro como se estivessem triturando pérola.

E pisam nos sonhos dos outros como se fossem folhas secas, só pra ouvir aquele barulhinho de “crac”, achando bonito. Cada uma que encosta vira um vaso de cabeça pra baixo, só pra ver se cai alguma coisa interessante.

 

E seguem por aí, na paz do próprio ego, achando que estão no palco principal,

mas, na real, é só um monólogo sem plateia.

Nem percebem que esse vazio que espalham pelo mundo é o mesmo cimento que vai fechando as paredes ao redor delas. Porque, olha...

quem não enxerga a luz do outro, uma hora acaba queimando a própria, até não sobrar nada além de cinza fria.

 

No fim das contas, o fim é ficar sozinhas, murmurando pra si mesmas. O único barulho?

O eco vazio da própria voz, perdido num deserto que elas mesmas ajudaram a criar.


Miranda

A MEDIDA DO BELO

 QUEM DEFINIU?

 A juventude desfia seu fio de ouro,  

e a beleza, essa frágil taça, derrama seu vinho.  

Efémera, dança na chama da vela.  

Não te apropries do orgulho, flor passageira,  

pois os dias voam com o vento,  

e o que é belo se transforma  

em outra forma de sombra e luz.

 

Mas pergunto ao eco do mundo:  

Quem foi que forjou a medida do belo?  

Em que forja, com que ferro,  

se cunhou o selo do perfeito?  

Quem ousa, na imensidão,  

classificar o “ser belo”  

na infinidade de formas que existem?

 

O belo não é apenas um rosto, uma linha, ou uma idade.  

É o sulco que a vida traça na pele,  

o abismo que habita um olhar cansado,  

a cicatriz que canta uma batalha vencida.  

É a chuva lavando a pedra antiga,  

o musgo verde no muro caído,  

o canto rouco da noite,  

quando as estrelas piscam  

para quem já esqueceu de as contemplar.

 

A falta de beleza é uma miragem para o olhar apressado.  

É a pressa de quem não percebe  

que o tronco retorcido guarda  

a força da tempestade que suportou.  

Que o rosto marcado pelo tempo  

é um mapa de histórias não contadas.  

O belo não pede licença,  

nem segue receitas.  

Habita o inesperado,  

o ínfimo, o quebrado, o passageiro.

 

Tudo é efêmero, sim.  

A formosura da juventude, a força do corpo.  

Mas existe uma beleza que o tempo não corrói:  

a que nasce do ser, autêntica e vasta,  

feita de trevas e luz.  

Uma beleza que não se define,  

apenas é.  

Como o universo,  

que não precisa de permissão  

para ser sublime.

 Miranda

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Relacionamentos fluidos

 Cartografia do Efêmero

(Após ler Bauman)

 

Tudo flui —

contactos em dispositivos,

dedos deslizando por perfis

como se fossem catálogos de carne e desejo.

Amor? Uma aplicação com opção de apagar,

código da solidão

sob o brilho fulgurante das estrelas artificiais.

 

O nosso abraço

carrega a sombra da separação,

o pacto invisível:

“Posso possuir-te sem te reter?”

Enquanto o mercado murmura:

“Troque, consuma, jogue fora —

o próximo corpo está em promoção...”

 

E o estrangeiro à porta?

Mais um resíduo da globalização,

um espelho quebrado

onde fugimos do nosso próprio vácuo.

Amar o próximo?

Mas quem indica como navegar

neste mar de selfies

onde se perdem os rostos autênticos?

 

Proposta para Solidez:

 

Que nossas ligações sejam pontes, não ondas —

firmadas na rocha áspera

do tempo vivido.

 

Criar raízes:

escutar o silêncio do outro,

nutrir a paciência como um jardim selvagem,

levantar lares na palavra “permanecer”.

 

Amar não como posse,

mas como um artesão que lixa

a aspereza do próximo

até fazer surgir luz

da própria diversidade.

 

Consolidar é optar:

reparar em vez de trocar,

afundar profundamente

neste rio que somos —

e nele, construir margens.

 

“Apenas o encontro que resiste à ferrugem e ao musgo

transforma o líquido em rio —

e o rio, em ponte de vastos espaços.”

 

Miranda

quinta-feira, 26 de junho de 2025

A VIBRAR

 


ESTÁTICO

Um passado que não passa...

Um presente que empacou...

Um futuro que insiste não chegar...

E...

Horas a fio com pés fincado onde já deveria ter partido

Tempo que impede o preso presente partir

Sonhos que custosamente sonhados, estáticos

E mesmo assim o tempo é senhor e não para

E mesmo assim a vida embotadamente despercebida

Notadamente não nota o pulsar da vida

Ventos, cata-ventos, aves ou cadáveres

Sem vislumbrar flores, amores e sabores

Tudo descabidamente, mente

Há só dores, rancores e temores

O senhor tempo continua dando corda ao relógio

Continua voando alucinado, e tudo parece parado

E tudo parece distante e mais que nunca aproximando

Desde sempre solto, sem rosto e assustador

Estaticamente vibrante, esvoaçando

De arma em punho, em tiro certeiro

Sem sorteio vai quem não imaginava estar indo!


Miranda

sábado, 10 de maio de 2025

Mãe

 

Raiz e Céu

 

Mãe é terra que vira asas, 

silêncio que ensina a voz, 

porto que nunca se apaga 

mesmo quando a noite é atroz

 

Nas mãos que o tempo enrugou, há histórias de pão e chão: 

cada linha é um amor 

plantado no coração

 

Não é só santa, é força bruta 

leite e suor misturados, 

nós de horas já perdidas, 

sorrisos despedaçados. 

 

Seu dia é todo dia, não cabe em data marcada: 

ela é a luz que persiste 

na janela amanhecida. 

 

Filho é verso que ela escreve 

sem papel, só com ardor, 

e mesmo quando o mundo chove, 

ela vira guarda-chuva e flor. 

 

Porque mãe não se explica, 

é raiz e é voo livre: 

na sua sombra danço, 

no seu colo respiro.


Miranda

sexta-feira, 11 de abril de 2025

PELA VIDA

 


VI...

Uma reflexão a partir desse poeta/filósofo - Quentin Machado, conhecido por suas obras que refletem sobre a vida, o amor, a natureza e a espiritualidade.
O poema "Ao longo do meu caminho" é uma das suas obras mais famosas, e é conhecido por sua beleza e profundidade. O poema é uma reflexão sobre a jornada da vida, e como ela nos leva a descobrir quem somos e o que realmente importa.
Inspirado em Quentin Machado:
Ao longo da jornada aprendi que a vida é um rio que nunca cessa de fluir;
Cada momento é uma gota que se dissolve no oceano do tempo, e não há como segurá-la;
A infância é uma dança inocente, onde os pés descalços pisam na terra fértil da imaginação;
A juventude, por sua vez, é o desabrochar de uma flor que ainda não conhece as tempestades;
A "velhice" ao chegar traz consigo a sabedoria de quem já viu o sol nascer e se pôr inúmeras vezes, mas também a nostalgia de um tempo que não volta mais;
Aprendi que o medo é uma sombra que nos persegue, mas que, quando enfrentada, se revela apenas uma ilusão;
O hábito é o fio que tece o tapete da rotina, e o apego é a corda que nos amarra ao que já não nos serve mais;
As pessoas mudam, sim, e que o poder pode ser um véu que distorce a essência de quem somos;
O dinheiro, embora necessário, é um mero instrumento, incapaz de curar as feridas da alma;
A coragem é a luz que nos guia na escuridão, enquanto a submissão é a cela que nos aprisiona;
A verdade é a chave que abre as portas da liberdade, e a mentira é o peso que nos arrasta para o fundo do abismo;
O saber é uma chama que ilumina a mente, e o "trabalho" é a terra que cultivamos com nossas mãos;
A despedida, por mais dolorosa que seja, é o preço que pagamos por ter amado;
A juventude não se mede pelos anos, mas pela disposição de sonhar;
A escola nos ensina as letras e os números, mas é em casa que aprendemos a ser humanos;
Os sonhos são as estrelas que nos guiam, mas a paz é o chão que pisamos quando estamos em harmonia com nós mesmos;
A liberdade é uma bandeira que levantamos, e o orgulho é a muralha que nos separa dos outros;
O perdão é um remédio que age devagar, mas que cura profundamente;
O rancor, por outro lado, é um veneno que corrói a alma;
Os filhos são como pássaros: um dia, abrem as asas e voam para construir seus próprios ninhos;
Um amigo é um tesouro que devemos guardar com cuidado, e a família é o porto seguro onde aprendemos a amar e a ser amados;
O amanhã é uma incógnita, e a humildade é a virtude que nos mantém conectados à terra;
A morte é a única certeza que carregamos, mas a vida é o mestre que nos ensina a valorizar cada instante;
O Deus em que acreditamos, é a fonte de onde brota a fé, e o amor é a esperança que nos mantém de pé, mesmo quando tudo parece desmoronar;

Ao longo da caminhada aprendi que a vida é uma dança e o tempo é o ritmo que nos move;
Então, vivamos cada passo com gratidão, pois o amanhã é apenas uma promessa, e o hoje é o presente que nos foi dado;
Dediquemo-nos à poesia da vida, e desliguemo-nos das ilusões que nos distrai do essencial;
Pois, no fim, o que importa não é o que acumulamos, mas o que sentimos e compartilhamos!

Miranda

Mulheres:

 


Flores e Estrelas na Terra

No alvorecer do tempo, quando o mundo ainda era um sonho,

Deus, em sua infinita sabedoria, teceu com mãos divinas

O coração das mulheres — vasto como o céu, profundo como o mar.

Elas, que carregam em si a semente da vida,

São as guardiãs do fogo sagrado da existência,

As tecelãs dos fios que unem o humano ao divino.

E, no Dia Internacional das Mulheres,

Erguemos nossas vozes em um canto coletivo,

Um hino que ecoa das montanhas aos vales,

Das fábricas aos campos, das salas de aula aos lares.

Pois a luta das mulheres não é apenas delas,

Mas de todos nós, que sonhamos com um mundo onde

Ninguém precise carregar sozinho o peso das injustiças,

Onde os frutos da terra e do trabalho sejam compartilhados,

E onde cada voz tenha o direito de ecoar.

Sob o olhar que enxerga além das aparências,

Vemos a mulher como força transformadora,

Quebradeira de correntes, lutadora incansável,

Que enfrenta a exploração que insiste em silenciá-las,

A violência que tenta aprisioná-las,

E as estruturas que buscam negar-lhes o direito de ser.

Mas elas resistem, como a terra que renasce após o inverno,

Como a rosa que brota entre as pedras.

E no olhar humano de Jesus, encontramos a essência do amor,

Aquele que elevou a mulher à condição de igualdade,

Que defendeu a adúltera, curou a enferma,

E revelou-se primeiro à Madalena, após a ressurreição.

Jesus, o carpinteiro de Nazaré,

Mulheres discipulas que serviam-no com seus bens, companheiras de evangelho,

Não objetos, mas sujeitos de sua própria história.

Hoje, celebramos as Marias, as Joanas, as vocês mulheres

As que carregam água, as que carregam livros,

As que carregam sonhos e as que carregam lutas.

Celebramos as mães, as filhas, as irmãs,

As que cuidam, as que ensinam, as que curam,

As que escrevem, as que marcham, as que transformam.

Que este poema seja um abraço coletivo,

Um reconhecimento de que a luta da mulher

É a luta pela humanidade inteira.

Pois, como disse alguém, no combate a violência feminina:

"Quando uma mulher avança, ninguém fica para trás."

 

Miranda

Uma Jornada

 Gilmara Ferreira

Não espere dela mais do que ela pode dar

O

amor, como disse Bob Marley, não é uma busca pela perfeição, mas uma jornada de

aceitação e entrega.

Ele nos lembra que não importa se você não é o primeiro, o último ou o único na

vida de alguém. O que realmente importa é o agora, o momento em que dois corações se encontram e decidem caminhar juntos, apesar das imperfeições, pois a vida é uma construção.

Nenhum de nós é imune a falhas, e não há relacionamento que escape das contradições da

vida. Mas é justamente nessa humanidade compartilhada que reside a beleza do amor.

Quando alguém te faz rir, te faz pensar, te entrega seu coração mesmo sabendo que ele pode ser quebrado, está te oferecendo um presente divino. E cabe a nós honrar

essa confiança, sem tentar mudar o outro, sem exigir mais do que ele pode dar. O amor não é sobre posse ou controle, mas sobre aceitação e respeito. É sobre sorrir nos momentos de alegria, enfrentar juntos os desafios e sentir falta quando a distância se impõe. É sobre amar com todo o ser, sem reservas, sem medo de se entregar.

A

Bíblia, em sua sabedoria eterna, nos ensina que o amor é paciente, é bondoso, não inveja, não se orgulha, não se irrita facilmente e não guarda rancor (1 Co 13.4-5).

E no livro de Gênesis, encontramos a promessa de que o homem e a mulher se unirão e se tornarão uma só carne, sob a bênção de Deus (Gn 2.24). Esse vínculo sagrado é fortalecido pelo compromisso de amar e cuidar um do outro, não apenas nos dias fáceis, mas também nos momentos de luta e incerteza.

"Até que a morte os separe" não é apenas uma frase dita em cerimônias de casamento; é um compromisso solene diante de Deus e dos homens. É a promessa de que, independentemente das imperfeições, dos erros e das mudanças que a vida traz, o amor permanecerá firme. Porque o amor verdadeiro não é sobre encontrar alguém perfeito, mas sobre amar alguém de maneira perfeita, com toda a intensidade e humanidade que ele merece.

Que possamos, então, honrar esse compromisso, amando com paciência, bondade e fé.

Que possamos enxergar no outro não apenas suas falhas, mas a imagem e semelhançade

Deus, e que o amor que compartilhamos seja um reflexo do amor divino, que

nunca falha e nunca acaba. Porque, no fim das contas, o amor é a maior prova de que somos feitos para viver em comunhão, até que a morte nos separe e além.


Miranda