Do Eco
Há por aí que anda achando que brilha mais do que
sol no meio-dia, mas,
olha... é um sol meio gelado, sabe? Só esquenta o
próprio umbigo.
Olham ao redor, mas, sinceramente, é como se só
enxergassem o próprio reflexo num vidro limpíssimo.
O resto do mundo vira cenário borrado, igual foto
tremida, tudo sem nome, sem cheiro, sem gosto.
Pegam sorrisos dos outros como se fossem flores
raríssimas, só que, rapidinho, as flores morrem nas mãos delas.
E, adoram beber lágrima alheia como se fosse um
vinho chiquérrimo, degustando o drama, porque de algum jeito isso faz elas se
sentirem melhores.
Palavras? Só moeda de troco, promessas que o vento
leva, papo de vendedor de ilusão.
Quando oferecem alguma coisa... cuidado, porque a
gaiola é dourada, mas ainda é prisão.
Tem até um jeitinho todo delicado, quase artesanal,
quebram as pessoas por dentro como se estivessem triturando pérola.
E pisam nos sonhos dos outros como se fossem folhas
secas, só pra ouvir aquele barulhinho de “crac”, achando bonito. Cada uma que
encosta vira um vaso de cabeça pra baixo, só pra ver se cai alguma coisa
interessante.
E seguem por aí, na paz do próprio ego, achando que
estão no palco principal,
mas, na real, é só um monólogo sem plateia.
Nem percebem que esse vazio que espalham pelo mundo
é o mesmo cimento que vai fechando as paredes ao redor delas. Porque, olha...
quem não enxerga a luz do outro, uma hora acaba
queimando a própria, até não sobrar nada além de cinza fria.
No fim das contas, o fim é ficar sozinhas,
murmurando pra si mesmas. O único barulho?
O eco vazio da própria voz, perdido num deserto que
elas mesmas ajudaram a criar.
Miranda

Nenhum comentário:
Postar um comentário