QUEM DEFINIU?
A juventude desfia seu fio de ouro,
e a beleza, essa frágil taça, derrama
seu vinho.
Efémera, dança na chama da
vela.
Não te apropries do orgulho, flor
passageira,
pois os dias voam com o
vento,
e o que é belo se
transforma
em outra forma de sombra e luz.
Mas pergunto ao eco do
mundo:
Quem foi que forjou a medida do
belo?
Em que forja, com que
ferro,
se cunhou o selo do
perfeito?
Quem ousa, na imensidão,
classificar o “ser belo”
na infinidade de formas que existem?
O belo não é apenas um rosto, uma
linha, ou uma idade.
É o sulco que a vida traça na
pele,
o abismo que habita um olhar
cansado,
a cicatriz que canta uma batalha
vencida.
É a chuva lavando a pedra
antiga,
o musgo verde no muro
caído,
o canto rouco da noite,
quando as estrelas piscam
para quem já esqueceu de as
contemplar.
A falta de beleza é uma miragem para
o olhar apressado.
É a pressa de quem não
percebe
que o tronco retorcido
guarda
a força da tempestade que
suportou.
Que o rosto marcado pelo
tempo
é um mapa de histórias não
contadas.
O belo não pede licença,
nem segue receitas.
Habita o inesperado,
o ínfimo, o quebrado, o passageiro.
Tudo é efêmero, sim.
A formosura da juventude, a força do
corpo.
Mas existe uma beleza que o tempo não
corrói:
a que nasce do ser, autêntica e
vasta,
feita de trevas e luz.
Uma beleza que não se
define,
apenas é.
Como o universo,
que não precisa de
permissão
para ser sublime.
Miranda

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