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terça-feira, 18 de novembro de 2025

A MEDIDA DO BELO

 QUEM DEFINIU?

 A juventude desfia seu fio de ouro,  

e a beleza, essa frágil taça, derrama seu vinho.  

Efémera, dança na chama da vela.  

Não te apropries do orgulho, flor passageira,  

pois os dias voam com o vento,  

e o que é belo se transforma  

em outra forma de sombra e luz.

 

Mas pergunto ao eco do mundo:  

Quem foi que forjou a medida do belo?  

Em que forja, com que ferro,  

se cunhou o selo do perfeito?  

Quem ousa, na imensidão,  

classificar o “ser belo”  

na infinidade de formas que existem?

 

O belo não é apenas um rosto, uma linha, ou uma idade.  

É o sulco que a vida traça na pele,  

o abismo que habita um olhar cansado,  

a cicatriz que canta uma batalha vencida.  

É a chuva lavando a pedra antiga,  

o musgo verde no muro caído,  

o canto rouco da noite,  

quando as estrelas piscam  

para quem já esqueceu de as contemplar.

 

A falta de beleza é uma miragem para o olhar apressado.  

É a pressa de quem não percebe  

que o tronco retorcido guarda  

a força da tempestade que suportou.  

Que o rosto marcado pelo tempo  

é um mapa de histórias não contadas.  

O belo não pede licença,  

nem segue receitas.  

Habita o inesperado,  

o ínfimo, o quebrado, o passageiro.

 

Tudo é efêmero, sim.  

A formosura da juventude, a força do corpo.  

Mas existe uma beleza que o tempo não corrói:  

a que nasce do ser, autêntica e vasta,  

feita de trevas e luz.  

Uma beleza que não se define,  

apenas é.  

Como o universo,  

que não precisa de permissão  

para ser sublime.

 Miranda

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