DONA MORTE
Quando já estiver deitado noite escura a dentro e adormecido, no último golpe,
sem mais goles nem porres
Quem sempre pensou que era forte, e, vem algo quer se sabe se veio do Sul ou Norte
sem precisar de pancada forte.
Sem aviso, sem susto e sem nenhum custo, sem esperneio, sem barganhar, num
simples apagar, sem poder levar nada, nem deixou tudo que deveria ficar, talvez
nenhum legado, quem sabe ser lembrado e malhado tipo Judas.
Sem marcar hora, nem batida na porta, se quer perguntou se já estava pronto,
nem deixar se despedir, poder dizer que iria partir, e, ir sem deixar senhas, ou
mesmo talvez um perdão que por algum motivo desdenha.
Se perguntou, se explicou, ninguém ouviu, nem mesmo um vento frio, não se viu
nem vulto, nem houve consentimento, ainda que houvesse um ressentir, agora um
sentir, só para quem ficou, se é que saudades deixou.
Nem veio armada, se tinha foice, se era feia, se muito fria, só quem sabia o
que sentia emudeceu, a porta fechada, sem passos pela casa assim chegou, assim
partia.
Conta as lendas que é desse jeito, e nem precisa ter malfeito, que um certo dia
e sem dia certo, sem um recado, sem encontro marcado é assim que chega a dona morte.
Miranda

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