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sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

O ENIGMA

 

O HUMANO

Como abandonar a saudade que já foi encanto?

Sim, olho para a vida e me angustio.

É que sei que sou mortal.

O imensurável vai fugindo de mim.

Pois é paradoxal, abissal e elevado.

As vezes me coloco longe (de mim).

Quero continuar fazendo perguntas.

Já que vivo envolto em dúvidas.

Busco de vez acalmar a alma.

Até que me visto com o obvio.

Continuo pensando o simples.

Mergulho na vida sem os ímpetos fúteis.

Temo o ócio vazio.

Talvez por isso encho-me com demandas.

Sou tímido à lisonja.

Temo envaidecer-me.

Talvez por isso amo trilhas solitárias.

Pois o infinito cabe no vazio.

O ontem, o agora e o amanhã cabem na eternidade.

A vida que vai pedindo passagem é a que pede coragem.

Pede que enfrente a vaga, o despossuir.

E que possua a mim mesmo.

Que devo atrever-me.

E devo ir leve sem as sobrecargas.

E fazendo-me surdo às vozes da cobrança.

Que eu vá domando meus monstros.

Que perca de vista as minhas perdas.

Pois ganho quando perco mala a tiracolo.

Pois a vida é curta e deve ser intensa.

E que não sou um caçador de recompensas.

Sou só um viajor.

Que sou eu quem deve lidar com minhas dores

Que não misture amor com dor!

Pois jamais combinam ainda que dê rima.

Que os entenda como a rosa e seus espinhos.

Que espinho é cuidado.

Porque a rosa é frágil.

Que rosa é perfume.

Porque espinho é ameaça.

 

Miranda

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