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sexta-feira, 11 de abril de 2025

O "Inevitável"

 


Reflexão Paradoxal
Há uma sabedoria antiga que nos ensina: "Se forem sábios, não discuta com eles; se forem tolos, ignore-os."
Mas e quando a linha entre a sabedoria e a tolice se dissolve no ar denso da história?
E quando um golpe se veste de inevitabilidade, e o que soa como verdade se esconde atrás de palavras que não ousam nomear o que são?
O paradoxo é este: quem cala, consente; quem fala, provoca. Se os sábios se calam por estratégia, sua quietude pode ser tomada como cumplicidade. Se os tolos são ignorados por princípio, sua voz, mesmo vazia, ecoa sozinha no vácuo do poder. O que resta, então, quando o jogo das aparências dita as regras e o "inequívoco" se torna um fantasma que todos veem, mas ninguém aponta?
Talvez a verdadeira astúcia não esteja em escolher entre discutir ou ignorar, mas em perceber que, às vezes, o silêncio é a única forma de gritar. E que, em certos momentos históricos, o que chamam de "destino" não passa de uma vontade disfarçada de fatalidade.
(Um exercício de ler nas entrelinhas, onde as palavras dizem mais pelo que não explicitam.)
Um Jogo de Sombras
A democracia é uma ideia frágil, não por ser fraca, mas porque exige fé. Fé no diálogo, na alternância de poder, na possibilidade de que o outro — mesmo quando discorda — merece ser ouvido. Mas o que acontece quando essa fé é minada por quem a vê como obstáculo? Quando o jogo político se transforma em uma partida de xadrez onde algumas peças se movem fora do tabuleiro?
Historicamente, os golpes não se anunciam com estardalhaço. Eles se insinuam, primeiro como "medidas necessárias", depois como "salvações pátrias". Usam-se palavras como "ordem", "crise", "exceção" — sempre em nome do povo, mas raramente "com" o povo.
E quando a resistência surge, aplica-se a velha máxima: "Se forem sábios, não discuta com eles; se forem tolos, ignore-os." Ou seja, isola-se a crítica, ridiculariza-se o contraditório, até que a exceção vire regra.
Mas a democracia tem um antídoto: a memória. Ela lembra que golpes não são atos de força bruta, mas processos de erosão. Que começam com a desconfiança nas instituições, passam pela criminalização da política e culminam na ideia perigosa de que alguns fins justificam quaisquer meios.
O paradoxo é que, para defender a democracia, é preciso usá-la — mesmo quando alguns prefeririam atropelá-la em nome da "eficiência".
Porque no fim, o maior golpe não é o que tira um governante do poder, mas o que convence o povo de que a democracia não vale a pena, puro engodo.
E aí, a pergunta que fica é: quem realmente ignora os tolos? E quem, no silêncio estratégico, acaba por servi-los?

Miranda

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