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domingo, 1 de julho de 2018

O RIO



SABE O RIO!

Lá no alto ao despontar, sou um filete alvo e cristalino,
Bem pequeno, sou frágil, mas tenho que seguir meu destino

Vou descendo a serra, vou regando a terra, dando vida a plantação, nesse caminho a plantação agradece, suas raízes umedecem, melhor ficou o sertão

Agora já não sou o mesmo filete frágil, aumentei nas corredeiras, tenho até cachoeiras, levo até embarcações, transporto vidas e o próprio sustento que ajudei a cultivar

Mas, como se não bastasse descer serras, cruzar matas, levar cargas e ser caminho, chego em lugares longínquos espremido por enormes muralhas de concreto, que destino!

Eu que trouxe vida, reguei e alimentei; transportei trouxe e levei, agora já não se lembram mais de todos os benefícios que lhes dei
Já não sou o mesmo filete, sou então um ribeirão, e não transporto só vidas, estão me transformando em lixão, já não vale mais a pena ser um ribeirão

Minhas águas que eram doces e cristalinas, que encheu de vida o sertão, agora recebe dejetos, chamam-me esgoto a céu aberto, só carrego podridão

As vezes me revolto, inundo, expludo tudo, até os canais de concreto, penso que ganhei a batalha, mas o que percebo é que estou perdendo a guerra

Ah! Se eu pudesse contar com você, reúna seu grupo, seus amigos, vamos lá é urgente! Não vês que corro perigo! Se eu morro como irás viver?

Estou indo pro coma! Sou aquele que já foi o bom e velho RIO!


COMO NÃO PRESERVAR AS FONTES DE VIDA, COMO NÃO DAR VALOR A ALGO QUE SOMOS TÃO DEPENDENTES!


VALORIZAR DEPOIS QUE TUDO ESTIVER PERDIDO, ISSO É SER HUMANO?


VAMOS PRESERVAR, ISSO SIM É AMAR!!!

Miranda

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