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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

VERSOS QUE INVERTO



IN-VERSOS

Versos informes, palavras soltas,
Frases invertidas, são quase falas loucas.
Haverá quem as leiam?
Quem as guardem?
Eu me divirto...
Teriam os poetas piedade?
De que adianta a ansiedade?
Pássaro vive para ser livre,
preocupar-se só com o próximo galho!
Pensamentos voam solitários
Os mais transloucados do imaginário.
Carregam sonhos guardados...
Outros nas mãos do tempo levados...
Tantos já esquecidos, apagados...

Sabia que parte das palavras são os medos?
Uns de viver, outros do morrer,
Mas sem perder a direção,
Sem desistir de viver
ainda que na alma aja solidão

Ainda que no peito aja as dores das perdas
Há também as certezas das muitas dúvidas,
As incertezas de um futuro a montar em retalhos,
Os sustos os surtos, os saltos, sobressaltos e atalhos

Os sins, os nãos, muitos talvez, quem sabe, um dia...
Os até logo, nunca mais, adeus e até breve...
E quando podia não queria, quando queria não podia!
Foi pedante, sufocante, as vezes alegre, mas nunca leve!

Seremos os sobreviventes do amor?
Viveremos a requerer direitos?
Sempre a engolir o choro,
Deixar passar as vontades,
De entregar só pedaços,
Mendigar carinhos,
Viver sós, solitários,
Morrendo de amores,
Carregando as dores,
Dores de um mundo...

Não, não é nosso esse mundo!
Enfiaram-nos nele,
Fomos indo, adaptando...
Fomos tomando essas formas,
Engessados, engendrados,
Agora, e pra sair dessa,
Com essa alma inquieta,
Nessa alma de poeta,
Que não se aquieta!

Vem vamos mudar nosso mundo...
Mudar dentro,
Tirar as trancas,
Jogar fora tranqueiras,
Limpar as sujeiras,
Olhe quanta beleza,
Escondida, trancada,
Saí pra vida...

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