SILENCIAR MATA
Quando o silêncio é gritante,
A maior urgência é silencia-lo.
Quando o silêncio nos ensurdece,
Como cessá-lo, como des-acioná-lo?
Quando te esmaga a alma,
Quando te tira a calma,
Quando te lança contra a parede,
Quando te emaranha em redes!
Quando a noite se deita!
Quando o amanhecer se levanta!
Seu ecoar vai na alma inquieta,
Sobrando a pergunta incerta...
Pensa numa dor pungente!
Imagine um rasgar silente,
Intensa, afiada como gume!
Tenta uma fuga, só não assume!
Num silencio renitente,
Seria já um corpo inerte?
Lançado nesse som abissal,
Sendo tragado, se sentindo mal!
Poço fundo, calabouço, sem fim...
Sem atenção, sem procura, tédio, enfim!
Mas como silenciar o silencio?
Adianta falar se for este o intento?
Quem cala consente...
Quem sente não mente...
Não poder e querer...
É pedir para morrer???
Miranda

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