DE QUE FÔRMA
Será mesmo o homem feito de barro?
Porque pensa que cai e não despedaça,
Dizem que homem cai e só se esborracha,
Se contorce, torce e retorce!
E ele se modela, se adapta e re-modela!
Então, de que seria mesmo feito o homem?
Será que não seria feito de aço?
Já que se sente o máximo, nunca se sente
pedaço!
Se ainda acredita ser de material
inquebrável!
Lida com a dor como quem não sente, seria
impermeável?
Até pensa ser eterno, ignora cada risco,
Se arrisca, se sente fera, parece habitar o
infinito!
Outras vezes acredito ser o homem feito de
vidro,
Descobrindo seus limites, pois quebrando será
só detritos!
Por isso controla-se, não se expõe, esconde
sentimentos,
Segue escondendo dores, amores e seus
lamentos!
Com medo que o derrubem, pois se quebrar será
extinto!
E se descobre com prazo, re-descobre sabe que tem
um tempo...
Mas parece mesmo é feito de folhas que estão soltas
ao vento!
Só então sente-se barro, cheio de fragilidades
e incertezas,
Na solidão de suas andanças, descobre-se
barro de rara beleza!
Se vê um vivente, residente num corpo tão
frágil,
Que se re-descobriu ainda em tempo de ser
útil, usável!
Que entendeu na vida:
As fases, com suas frases e catarses...
Que tem defeitos, afloram desejos e traz rumores de amores...
Amores de gente, nas suas variadas faces, com
suas bulas...
Há os des-gostos, volta a ter os gostos, mas
nunca se entende todo...
Há aprendiz de poeta, que o tempo vem quieto,
inquieta ao acordar do sonho!
A inspiração de suspiros num belo dia se
retira e acorda-se...
Ah, vida mestra na arte de ensinar!
Ah, homens que insistem em querer tudo já
saber...
Ah, senhor tempo que se quer dá tempo de nos prepararmos!
Enquanto a vida há esperança!
E o tempo sempre traz ventos que nos levam a
bons portos!
Tão forte,
Tão frágil,
Carrece um porto seguro...
Miranda

Nenhum comentário:
Postar um comentário